Quero fazer psicoterapia. Como saber se o profissional é bom?
- fernandalorencaops
- 18 de jun. de 2020
- 4 min de leitura
Atualizado: 20 de set. de 2022

Adianto que este assunto compreende questões bastante subjetivas, então resolvi listar alguns pontos sugeridos a serem considerados nessa busca:
* Observar se a forma que o profissional se divulga ou fala com você, respeita o código de ética do psicólogo. No site do Conselho Federal de Psicologia (CFP) é possível ter acesso ao código de ética (https://site.cfp.org.br/legislacao/codigo-de-etica/) e além disso, no site do CFP sempre tem notas e pontos importantes sobre a atuação do profissional da psicologia. Um ponto importante que consta no artigo 38 do Código de Ética é que fica vedado ao psicólogo “utilizar o preço do serviço como forma de propaganda”. Isso significa que frases como “ofereço valores sociais” ou “valores promocionais” são proibidos! O profissional pode negociar valores, fazer valores sociais, ou até em condições específicas atender gratuitamente, desde que isso seja combinado individualmente com o paciente. Mas qualquer conversa sobre valores deve ser feita de forma privada, e isso é importante inclusive para a construção do processo psicoterápico. Além de que devemos levar em consideração que o manejo do valor varia de acordo com as convicções e possibilidades de cada profissional.
* Outro ponto importante é saber se esse profissional é inscrito no Conselho Regional de Psicologia (CRP). No site do conselho existe a possibilidade de fazer essa busca (http://cadastro.cfp.org.br/). Todo psicólogo atuante deve estar com seu registro ativo.
* Não existe um manual de como o profissional deve falar ou atuar (a não ser o código de ética já citado). Isso significa que saber a linha de atuação do profissional pode guiar sua escolha, mas a atuação de cada profissional na linha de atuação é muito particular. Então é importante conhecer o profissional para tomar sua decisão. Às vezes no primeiro contato sua impressão não foi positiva, mas na entrevista sua visão pode ser outra. (O inverso também pode acontecer).
Também devemos pensar sobre o quão subjetivo é definir se um profissional é bom ou não. Exceto pelo fato do profissional não respeitar o código de ética e não estar ativo no CRP, definir a qualidade do atendimento de um profissional passa pela análise da sua percepção. Então o que é bom para um, pode não ser para outra pessoa e vice-versa. Acredito que seja fundamental levar em consideração suas intenções com o processo psicoterápico e o como você se sente com relação ao profissional que você vai escolher para seguir com você. Às vezes nossa vontade está em que tudo se resolva brevemente, com soluções práticas e indolores. Mas existem questões que levaram tempo para serem construídas, então talvez não seja coerente esperar uma solução rápida para elas. Por isso, é preciso alinhar com o profissional sua expectativa com o que de fato é possível concretamente.
* Sentir-se acolhido no seu espaço psicoterápico também é muito importante, mas lembre-se que envolve muitos fatores, como por exemplo o momento que você está vivendo, a ideia individual de cada um do que vem a ser acolhimento, e a conduta do profissional. Os dois extremos dessa questão são preocupantes: se manter em um processo sem se sentir acolhido, achando que é uma questão sua, enquanto isso tem a ver com a conduta do profissional, e o contrário, que é interromper um processo psicoterápico julgando ser falta de acolhimento pela conduta do profissional, enquanto na verdade, pode haver uma outra razão. Por isso não esqueça de levar isso em consideração.
* Outro ponto bastante recorrente é o imaginário de que não se deve sair mal de uma sessão de psicoterapia. Em um certo sentido isso é verdade. Estar se sentindo mal todas as vezes que você sai de uma sessão é um ponto a ser pensado e avaliado inclusive com seu psicoterapeuta, pois é importante que ele saiba como você tem se sentido para que possam trabalhar as questões envolvidas com esse mal estar. Mas é preciso perceber que existem algumas questões que para serem resolvidas, precisam ser olhadas e sentidas. Nesse caso, não se pode esperar não sentir. Uma analogia interessante é pensar em uma ferida. Imagina que você deseja sarar essa ferida, mas ela ficou fechada durante anos embaixo de um curativo. Existe alguma forma de trabalhar essa ferida sem tirar o curativo? Podemos até pensar em fazer algo que seja de dentro para fora, mas pensando na ferida: é preciso tirar o curativo, limpar o ferimento para que, deixando de estar abafado, possa começar o processo de cicatrização. Então em alguns casos, será preciso destampar esses problemas para cuidá-los.
* Outra questão que atravessa essa discussão é o tempo que se leva para construir uma relação de confiança/segurança. O que também nos traz a ideia de relatividade. Não existe um tempo pré determinado para isso. Para alguns isso pode acontecer desde o início, para outros pode levar algumas sessões ou até meses. Por isso, não se pode definir um padrão para ser seguido.
Listei alguns pontos que acredito que poderão ajudar no processo de escolha de um psicoterapeuta, mas reconheço que há muito mais a ser pensado sobre isso. Tantos outros pontos que atravessam essa discussão. E como disse anteriormente, a ideia inicial é traçar algumas pistas importantes nesse processo de escolha. No mais, o caminho é começar!
O processo psicoterápico deve ser construído a partir da relação com o profissional escolhido. Então, pense que é importante poder construir um espaço que te deixe confortável para trabalhar o que for necessário, e isso irá passar tanto por você (se colocando disponível) quanto com o profissional (tendo o manejo ideal para você).
Espero que te ajude! Fico à disposição para possíveis dúvidas ok?




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